Cloudflare Radar: infraestrutura de dados globais agora com IA e MCP

Cloudflare Radar: infraestrutura de dados globais agora com IA e MCP

A consolidação da edge computing como paradigma dominante em 2026 trouxe consigo uma exigência inédita por visibilidade e controle sobre as rotas que sustentam a internet global. Profissionais de infraestrutura, SREs e engenheiros de rede não podem mais depender apenas de métricas internas de desempenho ou de dashboards proprietários de CDNs — eles precisam de inteligência de internet em tempo real para tomar decisões sobre peering, mitigação de ameaças e otimização de latência. É exatamente nesse ponto que o Cloudflare Radar infraestrutura se estabelece como a plataforma de referência, combinando dados de BGP, tráfego HTTP global, ataques DDoS e adoção de protocolos em uma única interface analítica.

O Cloudflare Radar nasceu como um projeto de transparência da Cloudflare — empresa que opera o AS13335, um dos maiores sistemas autônomos do planeta, presente em mais de 300 cidades e 100 países, responsável por aproximadamente uma em cada cinco requisições HTTP da internet. Desde sua concepção, o Radar transformou dados operacionais da rede em inteligência pública, permitindo que qualquer profissional de TI consultasse tendências de tráfego, padrões de ataque e adoção de IPv6 ou HTTP/3. Agora, em agosto de 2026, a plataforma dá um salto qualitativo com duas adições estratégicas: o Radar Researcher, assistente baseado em IA que traduz linguagem natural em consultas analíticas, e um aprofundamento inédito na visualização de conectividade AS-level e upstream providers, extraídos diretamente de snapshots RIB do RouteViews.

Para o mercado brasileiro, onde a complexidade das rotas intercontinentais e a dependência de cabos submarinos como o Monet, o Seabras-1 e o EllaLink introduzem latência variável e riscos de roteamento, o Cloudflare Radar deixa de ser apenas uma ferramenta de curiosidade acadêmica para se tornar um painel de comando operacional. Com os novos widgets de conectividade AS-level, engenheiros de redes de ISPs regionais, provedores de nuvem e operadoras podem visualizar exatamente por quais trânsitos seus prefixos alcançam os Tier-1 globais, identificando gargalos e redundâncias. Paralelamente, o Radar Researcher democratiza o acesso a esses dados — uma consulta em linguagem natural como “show me DDoS trends in Brazil over the last 90 days” gera gráficos interativos sem que o profissional precise conhecer os endpoints da API REST do Radar.

Neste post, vamos dissecar cada uma dessas novidades com o olhar do engenheiro de infraestrutura que precisa decidir entre rotas, avaliar impacto de manutenções programadas — como as que a Cloudflare realizará em EWR (Newark) em 1 e 2 de setembro de 2026 — e planejar estratégias de failover baseadas em dados reais de conectividade. Você compreenderá como o Cloudflare Radar infraestrutura se conecta ao ecossistema mais amplo da plataforma Cloudflare, incluindo Workers, AI Gateway e Magic Transit, e por que essa integração coloca a empresa em uma posição singular no mercado de CDN e segurança. Ao final, apresentaremos recomendações práticas de uso e mostraremos como a JRT Technology Solutions implementa e gerencia soluções Cloudflare completas — de CDN e WAF a Zero Trust e Workers — para clientes corporativos no Brasil.

1. O salto do Radar: IA conversacional e mapeamento de conectividade AS-level

Em 5 de agosto de 2026, a Cloudflare anunciou simultaneamente duas evoluções para seu produto de inteligência de internet: o Radar Researcher entrou em beta público, e as páginas de AS no Radar passaram a exibir grafos de conectividade AS-level e séries temporais de upstream providers. O Researcher não é um chatbot genérico com uma camada superficial de dados — ele foi construído inteiramente sobre a Cloudflare Developer Platform, utilizando Workers AI para inferência e o ecossistema de APIs do Radar como fonte de verdade. Isso significa que cada consulta em linguagem natural é traduzida para chamadas reais aos endpoints /bgp/routes/paths/{asn} e /bgp/routes/upstreams/{asn}/timeseries, com os resultados renderizados em gráficos interativos no próprio navegador.

O ganho de produtividade para times de operações de rede é substancial. Em vez de alternar entre terminais BGP looking glass, dashboards de IX.br e planilhas de capacidade, um engenheiro pode simplesmente perguntar: “Which upstream providers carry the most traffic for AS267613 in the last 6 months?” e receber uma resposta visual, com explicações contextuais geradas pelo modelo de linguagem. O Researcher também oferece suporte a entrada de voz e mantém histórico pesquisável de conversas, permitindo que os times documentem suas investigações de forma natural.

Já as novas visualizações de conectividade no Cloudflare Radar infraestrutura representam um avanço para quem trabalha com engenharia de redes e peering. O grafo de conectividade AS-level agrega todos os caminhos BGP que um AS utiliza para alcançar os Tier-1 networks, unindo os prefixos anunciados conforme observados por coletores do RouteViews. A leitura é feita da esquerda para a direita, começando no AS consultado — por exemplo, AS13335 — e terminando nos Tier-1. Cada nó é rotulado com número de AS, país e nome da organização, e os nós Tier-1 são destacados visualmente. Um toggle “Show full paths” revela todos os caminhos observados, incluindo trânsitos redundantes, enquanto o seletor de versão IP alterna entre IPv4 e IPv6, já que as rotas para os Tier-1 podem diferir drasticamente entre as duas famílias de endereços.

O widget de Upstream providers, por sua vez, é um gráfico de área empilhada que mostra a distribuição temporal dos caminhos carregados por cada provedor upstream direto. Até 10 upstreams são exibidos como séries individuais, e os demais são agrupados em “Other”. Mudanças como adição de um novo provedor, queda de um link ou migração de tráfego aparecem como oscilações entre bandas, não como um valor agregado único. Isso permite, por exemplo, correlacionar uma melhoria de latência para usuários finais no Brasil com a ativação de um novo peering no IX.br São Paulo.

2. O que é o Cloudflare Radar e como ele se diferencia de um simples BGP looking glass

Para compreender a magnitude das novas funcionalidades, é essencial recuar e entender o que o Cloudflare Radar infraestrutura representa no ecossistema de ferramentas de rede. Lançado em 2020 como um portal público de transparência, o Radar evoluiu de um agregador de curiosidades sobre a internet para uma plataforma analítica que combina cinco fontes de dados distintas, todas alimentadas pela posição privilegiada da Cloudflare como um dos maiores transit networks do mundo. A tabela a seguir resume as principais fontes que alimentam o Radar:

Fonte de dados Descrição técnica Frequência de atualização
BGP (RouteViews + RIPE RIS) Snapshots de tabelas RIB e atualizações incrementais de centenas de coletores globais, utilizados para mapear prefixos anunciados e caminhos AS A cada 2 horas (para séries temporais) e tempo real (para grafos de conectividade)
Tráfego HTTP da rede Cloudflare Amostras de requisições que passam por mais de 300 data centers, segmentadas por país, protocolo (HTTP/2, HTTP/3) e tipo de conteúdo Diária, com granularidade horária para séries temporais
Ataques DDoS mitigados Dados anonimizados de ataques L3/4 e L7 mitigados automaticamente pela infraestrutura de DDoS Protection da Cloudflare Diária, com agregação por vetor de ataque e país de origem
DNS (1.1.1.1) Consultas ao resolver público 1.1.1.1, usadas para inferir tendências de tráfego por domínio e geolocalização Diária, com slicing por TLD e categoria de conteúdo

O que torna o Cloudflare Radar infraestrutura especialmente valioso para profissionais de infraestrutura é a integração nativa com as APIs do ecossistema Cloudflare. Diferentemente de ferramentas como ThousandEyes ou RIPE Atlas, que exigem instrumentação adicional e não oferecem correlação direta com métricas de CDN e segurança, o Radar se beneficia da mesma malha anycast que entrega conteúdo e mitiga ataques. Isso significa que um engenheiro pode correlacionar um pico de latência reportado pelo Radar com logs do Cloudflare Analytics ou com eventos de mitigação de DDoS no mesmo intervalo — tudo dentro do mesmo ecossistema.

Em 2024, a Cloudflare mitigou o maior ataque DDoS já registrado, superior a 2 Tbps, e os dados desse evento estão disponíveis no Radar como parte das séries históricas de ataques. Para times de segurança no Brasil, onde ataques volumétricos contra fintechs e plataformas de e-commerce são recorrentes, ter acesso a esses padrões globais permite calibrar regras de Rate Limiting e WAF com base em inteligência real, não apenas em heurísticas genéricas. Na JRT Technology Solutions, integramos esses dados às implantações de Magic Transit e Spectrum para clientes que precisam proteger redes inteiras, não apenas origens HTTP.

3. Dissecando as novas funcionalidades: tabela de recursos e impacto operacional

Para oferecer uma visão estruturada do que efetivamente mudou no Cloudflare Radar infraestrutura, compilamos cada nova funcionalidade com sua correspondência técnica, o problema que resolve e o perfil de profissional que mais se beneficia. Esta tabela serve como referência rápida para gerentes de infraestrutura que precisam justificar a adoção da plataforma para suas equipes:

Funcionalidade Origem dos dados Problema resolvido Público-alvo
Radar Researcher Workers AI + Radar API + AI Gateway Elimina a necessidade de conhecer endpoints REST para extrair inteligência de internet; reduz o tempo de investigação de horas para segundos SREs, analistas de segurança, engenheiros de rede que precisam de respostas rápidas sem escrever queries
Grafo de conectividade AS-level RouteViews RIB snapshots, união de todos os prefixos anunciados pelo AS Visualização da hierarquia de trânsito de um AS: dependências, distância dos Tier-1, diversidade ou concentração de caminhos Engenheiros de peering, arquitetos de rede, NOCs de ISPs e operadoras
Widget de Upstream providers Série temporal agregada de caminhos observados por upstream Detecção de alterações de política de roteamento: adição, queda ou redistribuição de tráfego entre upstreams ao longo do tempo CFOs de operadoras (decisões de custo de trânsito), engenheiros de capacidade, analistas de interconexão
WebMCP Protocolo MCP sobre HTTP, exposto pelo Radar para agentes autônomos Permite que agentes de IA naveguem no Radar, executem buscas e utilizem ferramentas como escaneamento de URL e lookup de domínio Desenvolvedores de agentes autônomos, times de automação, plataformas de orquestração de IA

O Radar Researcher não é apenas uma interface de chat. Ele foi desenhado para compreender o contexto da página que o usuário está visualizando. Ao selecionar “Explain with AI” em qualquer gráfico do Radar, o Researcher inicia uma conversa já contextualizada com os dados subjacentes daquele gráfico específico — por exemplo, a evolução de adoção de HTTP/3 no Brasil nos últimos 12 meses. Isso elimina a ambiguidade que normalmente ocorre quando se pergunta a um LLM genérico sobre dados de internet, porque o modelo está ancorado nos dados reais da API do Radar, não em conhecimento pré-treinado que pode estar desatualizado.

As novas APIs que suportam os widgets de conectividade são particularmente poderosas para automação. O endpoint /bgp/routes/paths/{asn} retorna segmentos ordenados de AS path, incluindo a contagem de caminhos observados, o número de peers e quais coletores do RouteViews contribuíram para cada observação. Já o endpoint /bgp/routes/upstreams/{asn}/timeseries expõe a distribuição percentual de cada upstream ao longo do tempo, com parâmetros para limitar o número de séries e selecionar a família de endereços IP. Na JRT Technology Solutions, utilizamos esses endpoints para alimentar dashboards customizados em Grafana que monitoram a saúde de interconexões de clientes com múltiplos provedores de trânsito.

4. Cloudflare Radar infraestrutura: inteligência de rede como pilar da estratégia de CDN e segurança

A evolução do Cloudflare Radar infraestrutura não pode ser dissociada da estratégia mais ampla da Cloudflare de se posicionar como a plataforma de conectividade mais inteligente do mercado. Enquanto concorrentes como Akamai e Amazon CloudFront operam CDNs com excelente capilaridade, nenhum deles expõe publicamente dados de roteamento BGP com a granularidade e a usabilidade que o Radar oferece. A Fastly, por sua vez, compete mais diretamente no segmento de edge computing com seu runtime WASM, mas também não disponibiliza uma plataforma de inteligência de internet aberta para a comunidade.

Essa assimetria de dados é um diferencial competitivo concreto. Quando um cliente corporativo contrata o Magic Transit ou o Spectrum, ele não está apenas comprando proteção DDoS ou proxy reverso — está ganhando acesso ao mesmo conjunto de dados que alimenta o Radar, podendo cruzar informações de ataques globais com seu próprio tráfego. Por exemplo, se o Radar detecta um aumento de 300% em ataques contra o setor financeiro na América Latina, um banco brasileiro que utiliza Cloudflare pode, em tempo real, acionar regras de WAF mais restritivas ou aumentar os thresholds de Rate Limiting para seus endpoints de internet banking.

Do ponto de vista de engenharia de infraestrutura, o Cloudflare Radar infraestrutura resolve um problema clássico de visibility gap: a distância entre quem opera a rede (NOC) e quem consome os serviços (desenvolvedores, SREs). Tradicionalmente, o NOC monitora BGP via looking glasses e alertas de desvio de rota, enquanto os SREs monitoram latência de aplicação via APM. O Radar unifica essas duas visões, permitindo que um SRE investigue se um aumento de p99 em uma API está correlacionado com uma mudança de rota BGP que desviou tráfego de São Paulo para Miami, adicionando 40ms de RTT. Essa correlação, que antes exigia uma reunião entre times, agora está a uma consulta em linguagem natural de distância.

A JRT Technology Solutions tem aplicado essa abordagem em clientes do setor de varejo digital, onde picos sazonais como Black Friday exigem decisões de roteamento em minutos, não em horas. Configuramos dashboards que integram dados do Radar com métricas de Argo Smart Routing e Load Balancing, permitindo que os times de operações visualizem, em um único painel, a latência por PoP, as rotas BGP ativas para cada origem e os ataques mitigados em tempo real. O resultado é uma redução média de 35% no MTTR (Mean Time to Resolution) para incidentes de conectividade.

5. Comparativo técnico: Cloudflare Radar vs Akamai, Fastly, AWS CloudFront e ThousandEyes

Para posicionar corretamente o Cloudflare Radar infraestrutura no mercado de ferramentas de inteligência de internet, é necessário comparar não apenas funcionalidades, mas filosofias de produto. A tabela a seguir contrasta as principais plataformas que um engenheiro de infraestrutura consideraria para monitorar conectividade global, desempenho de CDN e ameaças:

Plataforma Inteligência de internet pública Integração com CDN/segurança IA conversacional nativa API aberta para dados BGP
Cloudflare Radar Sim, dados públicos de BGP, tráfego HTTP, ataques DDoS, adoção de protocolos, qualidade de conexão por país Nativa — os mesmos dados que alimentam o Radar são usados pelo Analytics, WAF, Magic Transit e Argo Sim — Radar Researcher beta, com suporte a voz, histórico e links compartilháveis Sim — endpoints /bgp/routes/paths e /bgp/routes/upstreams, além de toda a API REST do Radar
Akamai (Linode + Connected Cloud) Limitado — Akamai State of the Internet é relatório periódico, não plataforma interativa Parcial — dados de entrega de CDN são expostos no dashboard, mas sem correlação com BGP público Não — ferramentas de IA são focadas em segurança (Akamai Guardicore), não em inteligência de internet Não — APIs são voltadas para gerenciamento de propriedades, não para dados públicos de roteamento
AWS CloudFront + CloudWatch

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Thiago Paes Rodrigues

Com mais de 22 anos de experiência em Tecnologia da Informação, este profissional construiu uma trajetória sólida como empresário, atuando de forma estratégica na implementação de soluções tecnológicas que otimizam processos e impulsionam resultados em diferentes setores.